Não dês ao acaso,
Aos caprichos da dúvida
As sombras que se te desenhem no peito
Sempre que deres por ti a escolher a noite;
Nos olhos elas encerram-te bosques segredados
Onde, ao luar,
São as aves nocturnas a cantar-te os meus sonhos.O resto já sabes:
A música nunca pára completamente,
Entrecortada apenas
Pelas dedadas púrpura duma Aurora impertinente.
E eu quero é amar-te, mais nada, mais nada. E que cozam as leis e a mania de entender, que é que há que entender? há só que te amar. A verdade é uma pedra, está aí, não há nada que entender, quero é amar-te
escrevo o teu lugar nas palmas das mãos
ao longo de muros projecto sombras gestos
o voo de pássaros e corro
pertenço às noites de rios que amas e cantam
que se escondem em poços mais profundos
precipitando-se em direcção ao inverno
sem regresso toco a música que fica
mais perto da distância
a minha partida estava já nos nós dos teus dedos
nos anéis dos teus cabelos
no teu sorrir que fios de música
teceram para que se desperdiçasse
- Tatiana Faia
- Sin Fang, “Look At The Light”
“Não pára pois de chover sobre as páginas oito e nove de um livro importante. A chuva não pára, e os relâmpagos aumentam. Porém, mesmo na natureza, existem promessas e ambições. No meio dos piores momentos prepara-se o dia de sol e o cheiro mínimo das ervas verdes. Aguarda! Diz Bloom para si próprio. Se estás triste: aguarda; se estás alegre: aguarda. O dia de amanhã não é um museu.”- Gonçalo M. Tavares, in “Uma Viagem à Índia”
Var jordens natt är full av ont.
Hjärta, lär dig att tiga.
De hårda själar, hårda sköldar
spegla ljus från stjärnornas hem.
Din klagan gör dig mera svag.
Hjärta, lär dig att tiga.
Blott tystnad helar, tystnad härdar,
orört kysk och skuldlöst sann.
Du söker kvalets heta liv!
Hjärta, lär dig att tiga.
Av sår och feber stärkes ingen.
Ljus som stål är himmelens borg.
- Karin Boye
Lo que eres
me distrae de lo que dices.
Lanzas palabras veloces,
empavesadas de risas,
invitándome
a ir adonde ellas me lleven.
No te atiendo, no las sigo:
estoy mirando
los labios donde nacieron.
Giovanni Baglione, “Amor sacro e Amor profano” (1601)
tú imithe le seachtain
d’gháire fós mo thionlacan
ba mhian liom éalú
ó d’íomhá atá do mo leanúint
uair a eiríonn an ghrian
go luíonn sí arís
is níos deanaí fós
is mé ag glanadh suas
tar éis lá oibre
tú mar a bheadh néal carnach
ós mo chionn
tuigim go mbeidh sé amhlaidh
go dtiocfaidh tréigean do chomactais.
- Colette Nic Aodha
Emily and The Woods, “Doorstep”